EM 96 NÓS TÍNHAMOS TEMPO...

EM 96 NÓS TÍNHAMOS TEMPO…
A escola terminava às 3h30 e eu fazia os TPC em 30 minutos. Brincava muito. Tinha Barbies, carrinhos, legos, livros… E na televisão via o Bueréré e desenhos animados como o CatDog, Dragon Ball, Inspector Gadget, Castores Zangados, As Três Irmãs e, os meus preferidos, The Real Monsters.

Em 96, estava eu na terceira classe. Agora dizemos “terceiro ano”.
Nessa altura, não havia hiperativos, disléxicos e austistas. Era tudo ou “mal educado” ou “burro”. Estas eram as duas categorias das necessidades educativas especiais. É ótimo que haja agora mil e um nomes para os desvios da norma padrão… E 1001 terapias complementares e 1001 atividades extra para meter os “mal educados” e os “burros” na linha, “o mais perto da norma” possível. Afinal… Interessa-nos que todos sejamos iguais (à moda da revolução francesa “Liberté, Égalité, Fraternité” como se fosse isto verdade…).

24 anos depois…
Houve tempo para criar um novo sistema de educação extremamente inovador. Os meninos e as meninas sentam-se agora em U, onde outrora sentavam-se em filinhas (uma moda do Estado Novo que ainda perdura em muitas salas de aula).
Em 2007, os meninos e as meninas tiveram acesso a computadores (em cada casa havia pelo menos 1 e na casa de algumas minorias havia 2… ou 3.. ou 4…) porque o Plano Tecnológico da Educação apresentava-se como “o maior programa de modernização tecnológica das escolas portuguesas” (vemos hoje a revolução deste plano inovador, não há dificuldades no ensino à distância! #sqn voltamos à telescola…), os meninos e as meninas tiveram o direito a serem chamados de “meninos” e de “meninas” porque a língua portuguesa é extremamente machista (os meninos, os alunos, os profissionais… tudo no masculino para representar uma coletividade que engloba meninos e meninas). Até o Cristo foi tirado das salas de aula, não fosse alguém ser evangélico, testemunha de Jeová, hindu, espírita ou ateu.

Perfeito…
Mudanças que visaram a ilusão da liberdade.
Porque “a nossa maior ilusão é acreditar que somos aquilo que pensamos ser”, disse Henri-Fréderic Amiel em 1800 e picos… E nós não somos livres. “Ninguém é mais escravo do que aquele que se julga livre sem o ser” (Johann Goethe).

Mas isto sou eu que digo porque tenho muito tempo livre para pensar… Porque sei que a mente é uma ilusão, que o mundo tal como o conhecemos é uma ilusao. O sistema em que vivemos é uma ilusão.

Está tudo bem.
Tu trabalhas para uma companhia que faz milhões. Tu és a base da pirâmide (qualquer um te pode substituir). Tu reclamas do teu trabalho e da tua vida. Tu vives com ansiedade. Tu choras, tu gritas, tu desesperas porque tens um crédito para pagar.

Tu dizes:
“Está tudo bem. A vida é assim. Estamos todos juntos. Vai tudo ficar bem…”

Eu digo:
“Não está tudo bem. A vida não tem de ser assim. Não estamos todos juntos. Não vai ficar tudo bem se te conformares…”

The Cosmic Code.
Grupo gratuito para pensadores fora da caixa.